They said we're all going to hell for eternity
(Ah)
(Ah)
(Ah)
(Ah, ah)
"Ensuite on fit apporter de nouvelles bouteilles, pour tuer le Temps qui a la vie si dure, et accélerer la vie qui coule si lentement." (Baudelaire)
They said we're all going to hell for eternity
(Ah)
(Ah)
(Ah)
(Ah, ah)
As estações de trem continuam, sim, me esperando nos meus sonhos. Cada vagão que surge no horizonte é a oportunidade de chegar naquele local específico, naquele bar que toca aquela música enquanto a gente dança.
Close your eyes.
Não é possível derreter a memória em ácido e ficar rindo com truques de cartas. A voz ecoa o chamado, o violão, o som, a fúria e a fumaça. O cigarro queima. Ainda queima, pudinzinho.
A ressaca do mar no fundo dos olhos não se lavou com as ondas do cabelo. Aliás, as tais ondas se transformaram em um coque bagunçado que evidencia as olheiras cansadas e a pele já não tão saudável que carrega os sinais do tempo.
O diagnóstico mudou. Não é mais o polo duplo. Passou a ser a linha limítrofe. Cada título com seu peso, afogando na dor de se encaixar em algo cada vez mais escuro e profundo.
Aos poucos, algumas coragens surgem (por incrível que pareça). O aviso prévio encerra amanhã e um novo horizonte surge. Quem sabe quais outros (re)começos não poderão surgir? Veremos.
As estações de trem nunca deixarão de estar ali. Nem os trens. A viagem continuará eterna até que os ombros se esbarrem sem querer e os narizes se reconheçam. Ou não.
É difícil, mas ciclos se encerram. Às vezes com alegria, às vezes repentinamente, sem querer ou com pesar e luto.
Revisando algumas anotações antigas, me deparei com a frase: "You cannot kill what you did not create" e >bam< o sorriso surgiu e o ciclo fechou.
Não podemos obrigar alguém a ser como queremos. É egoísta (mesmo que seja algo inerente da natureza humana) e fere a busca "racional" do prazer. Da mesma forma, não podemos nos encaixar naquilo em que não cabemos.
Dizem que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura"... Mas será que é saudável essa insistência exacerbada e sem propósito?
Tanto quis estar em um lugar e em determinada posição que, agora, levantei da cadeira e fui procurar outro assento. O trem ainda é o mesmo, o vagão também. Mas a janela me apresenta outro ponto de vista e estou ansiosa pela paisagem desse novo trajeto.
Tem momentos que o melhor é soltar. Simplesmente. Aprender a boiar ao invés de se debater. Apreciar a queda livre até o encontro com a cama elástica em vez de se agarrar em espinhos temendo uma suposta cama de faquir.
Na zona de conforto, não vamos a lugar algum. E, se aquele mundo não tem um lugar para ti, não tem razão permanecer.
O segredo é (e sempre vai ser) buscar. O que tu crias, só tu podes matar. Ou devorar. Ou cuidar e amar.
Fim do ciclo. O ar é fresco e gentil. Respirar. Ser.
![]() |
Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade.
[...]
Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio-termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la.
[...]
Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza só servia para realçá-la.
Conheci Cass uma noite no West End Bar[...]
E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traía sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma joia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
[...]
“Por que você despedaça sua beleza?” perguntei. “Por que você não convive com ela?”
[...]
Foi aí que Cass tirou seu vestido de gola rolê e eu vi — a cicatriz horrível entalhada na sua goela. Era longa e grossa.
“Meu deus, mulher,” eu disse da cama, “meu deus, o que você fez?”
“Eu tentei fazer aquilo com uma garrafa quebrada outra noite. Você não gosta mais de mim? Você ainda me acha bonita?”
[...]
Eu estava cansado demais para fazer muita coisa mas nessa sexta à noite eu fui ao West End Bar. Sentei e esperei pela Cass. Horas se passaram. Quando eu estava bastante bêbado o balconista me disse, “sinto muito pela sua namorada.”
“Como assim?” perguntei.
“Desculpa, você não sabia?”
“Não.”
“Suicídio. O enterro foi ontem.”
“Enterro?” perguntei. Parecia que ela entraria pela porta a qualquer momento. Como ela poderia ter partido?
“A irmã a enterrou.”
“Suicídio? Pode me dizer como?”
“Ela cortou a garganta.”
“Entendi. Me vê outra dose.”
Bebi até a hora de fechar. Cass era a mais bonita de 5 irmãs, a mais bonita da cidade. Consegui dirigir até em casa e fiquei pensando, eu devia ter insistido para ela ficar comigo em vez de aceitar aquele “não.” Tudo que ela fazia indicava que ela se importava.
Bury all your secrets in my skin
Come away with innocence / And leave me with my sins
The air around me still feels like a cage
And love is just a camouflage / For what resembles rage again
So, if you love me, let me go / And run away before I know
My heart is just too dark to care / I can't destroy what isn't there
Deliver me into my fate
If I'm alone, I cannot hate
I don't deserve to have you
My smile was taken long ago
If i can change, I hope I never know
I still press you letters to my lips
And cherish them in parts of me
That savor every kiss
I couldn't face a life without your light
But all of that was ripped apart
When you refused do fight
So save your breath, I will not hear
I think I made it very clear
You couldn't hate enough to love
Is that supposed to be enough?
I only wish you weren't my friend
Then I could hurt you in the end
I never claimed to be a saint
My own was banished long ago
It took the death of hope to let you go
So break yourself against my stones
And spit you pity in my soul
You never needed any help
You sold me out to save yourself
And I won't listen to your shame
You ran away, you're all the same
Angels lie to keep control
My love was punished long ago
If you still care, don't ever let me know!