Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade.
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Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio-termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la.
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Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza só servia para realçá-la.
Conheci Cass uma noite no West End Bar[...]
E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traía sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma joia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
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“Por que você despedaça sua beleza?” perguntei. “Por que você não convive com ela?”
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Foi aí que Cass tirou seu vestido de gola rolê e eu vi — a cicatriz horrível entalhada na sua goela. Era longa e grossa.
“Meu deus, mulher,” eu disse da cama, “meu deus, o que você fez?”
“Eu tentei fazer aquilo com uma garrafa quebrada outra noite. Você não gosta mais de mim? Você ainda me acha bonita?”
[...]
Eu estava cansado demais para fazer muita coisa mas nessa sexta à noite eu fui ao West End Bar. Sentei e esperei pela Cass. Horas se passaram. Quando eu estava bastante bêbado o balconista me disse, “sinto muito pela sua namorada.”
“Como assim?” perguntei.
“Desculpa, você não sabia?”
“Não.”
“Suicídio. O enterro foi ontem.”
“Enterro?” perguntei. Parecia que ela entraria pela porta a qualquer momento. Como ela poderia ter partido?
“A irmã a enterrou.”
“Suicídio? Pode me dizer como?”
“Ela cortou a garganta.”
“Entendi. Me vê outra dose.”
Bebi até a hora de fechar. Cass era a mais bonita de 5 irmãs, a mais bonita da cidade. Consegui dirigir até em casa e fiquei pensando, eu devia ter insistido para ela ficar comigo em vez de aceitar aquele “não.” Tudo que ela fazia indicava que ela se importava.

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