As estações de trem continuam, sim, me esperando nos meus sonhos. Cada vagão que surge no horizonte é a oportunidade de chegar naquele local específico, naquele bar que toca aquela música enquanto a gente dança.
Close your eyes.
Não é possível derreter a memória em ácido e ficar rindo com truques de cartas. A voz ecoa o chamado, o violão, o som, a fúria e a fumaça. O cigarro queima. Ainda queima, pudinzinho.
A ressaca do mar no fundo dos olhos não se lavou com as ondas do cabelo. Aliás, as tais ondas se transformaram em um coque bagunçado que evidencia as olheiras cansadas e a pele já não tão saudável que carrega os sinais do tempo.
O diagnóstico mudou. Não é mais o polo duplo. Passou a ser a linha limítrofe. Cada título com seu peso, afogando na dor de se encaixar em algo cada vez mais escuro e profundo.
Aos poucos, algumas coragens surgem (por incrível que pareça). O aviso prévio encerra amanhã e um novo horizonte surge. Quem sabe quais outros (re)começos não poderão surgir? Veremos.
As estações de trem nunca deixarão de estar ali. Nem os trens. A viagem continuará eterna até que os ombros se esbarrem sem querer e os narizes se reconheçam. Ou não.

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