terça-feira, 18 de agosto de 2026

Piuí-tchá-tchá-tchá

As estações de trem continuam, sim, me esperando nos meus sonhos. Cada vagão que surge no horizonte é a oportunidade de chegar naquele local específico, naquele bar que toca aquela música enquanto a gente dança.

Close your eyes.

Não é possível derreter a memória em ácido e ficar rindo com truques de cartas. A voz ecoa o chamado, o violão, o som, a fúria e a fumaça. O cigarro queima. Ainda queima, pudinzinho.

A ressaca do mar no fundo dos olhos não se lavou com as ondas do cabelo. Aliás, as tais ondas se transformaram em um coque bagunçado que evidencia as olheiras cansadas e a pele já não tão saudável que carrega os sinais do tempo.

O diagnóstico mudou. Não é mais o polo duplo. Passou a ser a linha limítrofe. Cada título com seu peso, afogando na dor de se encaixar em algo cada vez mais escuro e profundo.

Aos poucos, algumas coragens surgem (por incrível que pareça). O aviso prévio encerra amanhã e um novo horizonte surge. Quem sabe quais outros (re)começos não poderão surgir? Veremos.

As estações de trem nunca deixarão de estar ali. Nem os trens. A viagem continuará eterna até que os ombros se esbarrem sem querer e os narizes se reconheçam. Ou não.



quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Go forward

É difícil, mas ciclos se encerram. Às vezes com alegria, às vezes repentinamente, sem querer ou com pesar e luto.

Revisando algumas anotações antigas, me deparei com a frase: "You cannot kill what you did not create" e >bam< o sorriso surgiu e o ciclo fechou.

Não podemos obrigar alguém a ser como queremos. É egoísta (mesmo que seja algo inerente da natureza humana) e fere a busca "racional" do prazer. Da mesma forma, não podemos nos encaixar naquilo em que não cabemos.

Dizem que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura"... Mas será que é saudável essa insistência exacerbada e sem propósito?

Tanto quis estar em um lugar e em determinada posição que, agora, levantei da cadeira e fui procurar outro assento. O trem ainda é o mesmo, o vagão também. Mas a janela me apresenta outro ponto de vista e estou ansiosa pela paisagem desse novo trajeto.

Tem momentos que o melhor é soltar. Simplesmente. Aprender a boiar ao invés de se debater. Apreciar a queda livre até o encontro com a cama elástica em vez de se agarrar em espinhos temendo uma suposta cama de faquir.

Na zona de conforto, não vamos a lugar algum. E, se aquele mundo não tem um lugar para ti, não tem razão permanecer.

O segredo é (e sempre vai ser) buscar. O que tu crias, só tu podes matar. Ou devorar. Ou cuidar e amar.

Fim do ciclo. O ar é fresco e gentil. Respirar. Ser.