terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A hora não é essa

   Não sou eu quem precisa te dizer que a hora não é essa. Não vai ser hoje ou amanhã. Que vai demorar anos ou que pode não chegar. A hora não é essa! As coisas acontecem quando tem que ser. Pode ser que já tenha acontecido e a gente não saiba, mas agora a trilha é outra. A música é outra. O ar é outro.
   Essa cidade toda maravilhosa, cheia de prédios, zumbis e falta de amor... eu já não gosto mais dela. Não é mais o meu lugar. Talvez nunca tenha sido a não ser na minha imaginação. Quem sabe algum dia eu volte a me sentir em casa em meio aos gritos dos vendedores e pessoas que se esbarram maleducadamente, mas a hora não é essa. Não é agora.
   As coisas que me ardem o peito não pararam de arder. Quiçá algum dia pararão. Se algum dia cessarem, aí será a hora. Cada um tem o seu tempo e aprendi a não atropelar as coisas que sinto por medo de perder o trem. Sempre vem outro, na hora que tiver que vir. A hora não é essa.
   A hora pode ser daqui dez anos (eu jamais saberia). Mas não subestime o que guardo adormecido dentro de mim, nem maldiga os meus esforços diários para engolir todo o mal que me fizeram / que eu me fiz. Hoje, eu busco tranquilidade e a minha paz está presente. Esta é a minha hora: a hora de eu ser minha, de repugnar/expulsar/exorcizar tudo o que não quero em mim. Eu quero a mim e essa é a hora. Hoje. Agora.


sábado, 16 de dezembro de 2017

Sinceramente

   Em um relacionamento, nem tudo são maravilhas. Na verdade, nunca é. Estar com alguém é desgastante, dói, machuca, enraivece... se chora escondido para fingir que é passageiro, que as farpas vão arder apenas naquele momento em que ninguém está vendo.
É aceitar perder uma liberdade que não se tem, dividir uma intimidade que não se quer. Nem tudo são flores...

   Hoje acordei sem entender o que está acontecendo. Faz dois dias que parei de comer e tem uma dor lancinante me corroendo não sei se o peito ou o estômago. Eu estou feia. Há dias me chamam a atenção para o meu aspecto cansado, desgastado, exausto, olheiras fundas e magreza evidente. "Eu não estou magra", digo a todos. Tenho que emagrecer ainda; preciso conseguir respirar sem sentir fagulhas queimando minha faringe; preciso conseguir acordar sem pensar - um dia que seja - o quanto tudo dói e como eu me sinto apática.
Mil quilômetros acima de mim existe outra realidade que eu não conheço mais. Que eu não entendo, basicamente. O que aconteceu com os sorrisos, as memórias, as noites bem-dormidas? O que eu fiz comigo que destrói além de mim?

   É Natal (e ano novo também) e já não importa. Não tenho mais metas. Nada vai mudar. Nunca. Nunca mais. Eu vou ser sempre assim e acho que tudo bem. Ninguém é obrigado a dividir sonhos com alguém como eu...

   Tem esse negócio que se chama Vazio que me conhece tão bem já e...

   Me desculpe.


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Choo-choo

   Hey, babe...
   A gente viveu a vida que eu sempre quis, mesmo com os detalhes extras. Todo o tempero, o sabor, o alarme, os trens pela nossa pele.
   Ficaremos dez anos sem nos ver. Cap.
   A cicatriz mais bonita não tá mais na minha retina. É meu bom dia e meu boa noite. É meu corpo, minha história, minha ressaca. Nossa ressaca.
   Quem sabe amanhã eu apareço.
   Os trens. Os ratos. Os sonhos. As nuvens, a chuva, a dor que é respirar. A fumaça. A sujeira. As luzes.
   Joguei fora os remédios. Se é para doer, que doa! Quero sentir cada caco de vidro que eu engolir rasgar minha garganta. Quero sentir toda a felicidade de esbarrar em um poste de novo. Choo-choo.

   Cap.
   Hey, babe... a vida não acabou. We will conquer the world.


domingo, 19 de novembro de 2017

Sonhos

   O problema de quem está acordado é dormir. Definitivamente, os sonhos maltratam a rotina dos que querem seguir em frente. Seguir em frente é opção, mas concretizar é tão difícil quanto acordar.
   Todas essas mudanças, tantos sorrisos, tanta facilidade de respirar novamente para, de repente, um sonho que te puxa de volta para uma lama imensa e inexplicável. Os erros que cometi. Os erros que cometeste. E se tudo tivesse sido diferente? E se tudo ainda fosse?
   A dor é dos que ficam. A dor é dos que perdem. E eu sinto dor. Ainda. Mesmo não querendo. Mesmo fugindo.
   Todas as marias-fumaças desenhadas em minha pele. Todos os trilhos que reencontraram a Pequena Ladra e o mistério que ninguém sabe, nem eu, e que nunca foi escrito. Nunca mais escrito. A Maldição que volta. E que não termina.
   A dor é dos que sonham.



[https://www.youtube.com/watch?v=ZoQO7e2THIw]

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Plenitude

   Pela primeira vez em anos eu estou me sentindo plena. Sim, foi um erro crasso se alguma outra vez nessa vida ousei crer que me afundava em plenitude. Estou plena e essa imensidão de ondas de felicidade rebentam em meu peito de uma forma tão incrível que meu corpo inteiro dói de tanto sorrir e eu quero sorrir a vida inteira!
   Danilo apareceu na minha vida muitos anos atrás e foi embora. Depois voltou e foi embora de novo. Depois voltou mais uma vez e cuidou de mim como ninguém fez, como nem eu mesma fui capaz de cuidar. Danilo apareceu a primeira vez para me ensinar como me apaixonar por alguém para o resto da vida, incondicionalmente. Apareceu a segunda para me dar certeza que meus sonhos com alguém poderiam ser sonhados. Apareceu a terceira vez para ficar, fazendo eu me arrepender amargamente de tudo o que eu vivi até hoje, reacendendo sonhos que eu extingui com o tempo.
   Poderíamos ter ousado ficar juntos em outras épocas, mas a falta de maturidade cobra caro e hoje, talvez, tudo fosse diferente. Hoje, eu te aceito como meu legítimo esposo e vou te aceitar e te querer para sempre, para dividir contigo essa plenitude nos encharcando ainda com tanto gosto, tanto amor, tanta imensidão! Hoje, o verde do mar se une ao azul do céu e nossos olhos dançam felizes um dentro do outro. As noites mal dormidas se libertaram de todas as cicatrizes e, finalmente, adormecemos felizes, de mãos dadas. O meu rosto em teu peito irradiando o sorriso que tu desenhou em mim.